sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sinto que nunca senti que amei

Desde sempre minha vida tem sido uma leveza só.
Um sopro contínuo que nem esquenta nem esfria.
Minhas sensações são de um único ritmo.
A minha alegria tem sido tão leve quanto minha tristeza.
Meus dias de céu cinza ou branco são levemente alegres ou levemente entediantes.
Leves, contudo. Leves, sobretudo.
As horas me levam numa leveza lenta.
Aprendi mil motivos para odiar as pessoas.
Todavia não aprendi a odiar as pessoas.
Sinto que nunca odiei nada, nem o que levemente me incomodou.
Sinto que nunca senti que amei.
Quando amei, levemente amei.
Tão levemente que sequer me dei conta que amava.
Só me dei conta que amava quando deixei de amar.
Sinto que nunca senti que amei.
Mesmo quando amei não senti que amei.

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